quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Tudo sobre cancro no pancreas (Continuação)

Que apoios existem para as pessoas com cancro?


O diagnóstico de cancro do pâncreas pode mudar a vida de uma pessoa e dos seus familiares e, tantas alterações podem ser difíceis de gerir.


Um turbilhão de dúvidas parece desabar…

"… porquê eu, porque me tinha que acontecer a mim?"
"… quem irá cuidar da minha família?"
"… como irei manter o meu emprego?"
"… como irei dar continuidade às minhas actividades diárias?"
"… como será o dia de amanhã?"


Emocionalmente, será sempre um período duro, de mudança, de incerteza…

Muitas vezes, a adaptação é mais fácil quando se tem informação correcta e bons serviços de apoio.

Adicionalmente, é frequente haver alguma preocupação relativamente aos exames a efectuar, aos tratamentos, às estadias no hospital...

É importante esclarecer todas as dúvidas e conseguir obter toda a informação que necessite para se sentir confortável: o médico poderá responder-lhe às questões sobre o tratamento, trabalho e outras actividades; poderá, ainda, falar com um psicólogo ou outro profissional especializado sobre os seus sentimentos ou discutir as suas preocupações. A assistência social poderá sugerir recursos para ajudar na recuperação, apoio emocional, ajuda financeira, transporte e cuidados ambulatórios.

No Hospital onde está a ser seguido, poderá ser de extrema utilidade falar com a Assistência e Apoio Social, para saber qual a articulação “logística” que poderá estabelecer ou manter com esse mesmo “departamento”.

Por outro lado, praticamente todos os Hospitais têm uma "Liga dos Amigos do Hospital…", ou "Associação dos Amigos do Hospital…" que, muitas vezes, tem contactos privilegiados e acordos com instituições de apoio, lojas de material ergonómico e adaptado a pessoas doentes e debilitadas; como tal, poderá ser vantajoso estabelecer este contacto.

Os amigos e familiares são um apoio essencial.

Muitas pessoas consideram útil e positivo discutir as suas preocupações com outras pessoas que também têm cancro, que já passaram pela mesma experiência, pelos mesmos medos. No entanto, é importante lembrar que todas as pessoas são diferentes. O modo como uma pessoa lida com a doença, pode não ser adequado para outra.

As pessoas com cancro do pâncreas reúnem-se, muitas vezes, em grupos de apoio, onde podem partilhar o que aprenderam acerca de como lidar com a doença e efeitos do tratamento.

Veja, abaixo, os links das diferentes associações e sociedades existentes em Portugal ligadas ao cancro do pâncreas:

Existem, ainda, diversas publicações disponíveis sobre o cancro. Consulte aqui.

Quais os direitos da pessoa com cancro do pâncreas?


Sabia que, por ter cancro do pâncreas, tem direitos legais e benefícios sociais e fiscais específicos?

Para saber mais informação, consulte aqui.


Tudo isto foi retirado do site: http://www.pop.eu.com/home.html

Portal de oncologia portugês!

Tudo sobre cancro no pancreas

Qual a estrutura normal do pâncreas?


O pâncreas é uma órgão com funções de secreção exócrina e endócrina localizado posteriormente ao estômago na região superior e posterior do abdómen logo à frente da coluna vertebral (espinha dorsal). O pâncreas está rodeado pelo fígado, intestino e outros órgãos.
O pâncreas tem mais ou menos 15 centímetros de comprimento e tem a forma de uma pêra achatada. A parte mais larga do pâncreas é a cabeça, a secção intermédia é o corpo e a parte mais fina é a cauda.

A imagem mostra o pâncreas e órgãos adjacentes.

O pâncreas produz insulina e outras hormonas. Estas hormonas entram na corrente sanguínea e ajudam o organismo a utilizar ou armazenar a energia obtida a partir dos alimentos. Por exemplo, a insulina ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

O pâncreas também produz sucos pancreáticos (secreção pancreática). Esta secreção contem enzimas que ajudam a digerir os alimentos O pâncreas liberta a secreção sistema de ductos que vão para o ducto biliar comum. O ducto biliar comum conduz a secreção pancreática para o duodeno, a primeira secção do intestino delgado.


A imagem mostra o pâncreas, o ducto biliar comum e o duodeno.

A maioria dos tumores do pâncreas tem origem nos ductos que transportam a secreção pancreática. O cancro do pâncreas pode ser designado por cancro pancreático ou carcinoma do pâncreas.

Existe um tipo raro de cancro do pâncreas que tem origem nas células produtoras de insulina e outras hormonas; a este tipo de cancro dá-se o nome de cancro dos ilhéus. Esta doença rara não será aqui abordada.


Quando o cancro do pâncreas se dissemina para o exterior do pâncreas, ou seja, quando metastiza, as células cancerígenas encontram-se frequentemente nos gânglios linfáticos adjacentes. Se o cancro tiver atingido os gânglios, significa que as células cancerígenas se podem ter disseminado para outros gânglios linfáticos ou outros órgãos, tais como o fígado ou os pulmões. Por vezes, o cancro do pâncreas dissemina-se para o peritoneu, ou seja, para a camada de tecido que reveste o abdómen.


Quando o cancro metastiza para outra parte do corpo, o novo tumor tem o mesmo tipo de células anómalas e o mesmo nome do tumor primário. Por exemplo, se o cancro do pâncreas se disseminar para o fígado, as células cancerígenas aí existentes são, na realidade, células cancerígenas do pâncreas. A doença corresponde a uma metástase do cancro do pâncreas e não a um cancro do fígado. Deverá ser tratada como cancro do pâncreas e não como cancro do fígado.


Quais os factores de risco para ter cancro do pâncreas?



Desconhecem-se as causas exactas do cancro do pâncreas. Não é possível explicar porque é que uma pessoa desenvolve cancro do pâncreas e outra não. Sabe-se que não é uma doença contagiosa; não se pode “apanhar” cancro através de outra pessoa.


As investigações têm revelado que as pessoas com determinados factores de risco estão mais predispostas a desenvolver cancro do pâncreas. Um factor de risco é algo que aumenta a probabilidade de se vir a desenvolver a doença.


Os estudos realizados determinaram os seguintes factores de risco:


Idade: a probabilidade de desenvolver cancro do pâncreas aumenta com a idade. Este tipo de cancro ocorre com maior frequência em pessoas com mais de 60 anos.

Tabagismo: os fumadores de cigarros têm uma probabilidade duas a três vezes superior de desenvolver cancro do pâncreas, comparativamente aos não fumadores.


Diabetes: o cancro do pâncreas ocorre com maior frequência em pessoas com diabetes.

Sexo: são diagnosticados mais casos de cancro do pâncreas no homem do que na mulher.

Raça Afro-Americana: as pessoas de raça Afro-Americana têm maior probabilidade de desenvolver cancro do pâncreas, comparativamente aos Asiáticos, Hispânicos ou Caucasianos.


Antecedentes familiares: o risco de uma pessoa desenvolver cancro do pâncreas triplica se a mãe, pai, irmão ou irmã já tiverem tido esta doença. Os antecedentes familiares de cancro do cólon ou dos ovários também aumentam o risco de desenvolver cancro do pâncreas.

Pancreatite Crónica: a pancreatite crónica é um estado inflamatório do pâncreas, caracterizado por dores e mal estar epigástrico. Alguns dados sugerem que a pancreatite crónica pode aumentar o risco de desenvolver cancro do pâncreas.

Outros estudos sugerem que a exposição a determinados químicos, no local de trabalho, ou uma alimentação rica em gorduras, podem aumentar a probabilidade de desenvolver cancro do pâncreas.


A maioria das pessoas com factores de risco conhecidos não desenvolve cancro do pâncreas. Por outro lado, muitas pessoas que desenvolvem a doença não apresentam qualquer factor de risco. As pessoas que considerem apresentar factores de risco para cancro do pâncreas devem partilhar esta preocupação com o médico assistente. O médico pode sugerir formas para reduzir o risco de desenvolver cancro do pâncreas e elaborar um plano adequado para a realização de exames médicos.


Quais os principais sinais e sintomas de cancro do pâncreas?


O cancro do pâncreas é uma doença silenciosa, evoluindo frequentemente sem sintomas. Porém, à medida que o cancro evolui, podem surgir os seguintes sintomas:

• Dor na parte superior do abdómen ou nas costas

• Pele e olhos amarelados e urina escura, devido a icterícia

• Fraqueza


• Falta de apetite

• Náuseas ou vómitos

• Perda de peso

Estes sintomas não implicam a presença de cancro do pâncreas: podem ser provocados por uma infecção ou outro problema de saúde. Só o médico pode determinar a causa dos sintomas apresentados. Ainda assim, pessoas com sintomas semelhantes aos apresentados devem consultar o médico, para que o problema seja tratado o mais rapidamente possível.


Como é feito o diagnóstico do cancro do pâncreas?


Se o doente tiver sintomas sugestivos de cancro do pâncreas, o médico irá obter a sua história clínica, ou seja, os seus antecedentes médicos. Poderão efectuar-se vários procedimentos, nomeadamente um ou mais dos abaixo apresentados:

Exame físico

o médico observa a pele e os olhos para identificar possíveis sinais de icterícia. Posteriormente, o médico palpa o abdómen para determinar se ocorreram alterações na região adjacente ao pâncreas, fígado e vesícula biliar. O médico verifica também a possível presença de ascite, ou seja, uma acumulação anormal de líquido no abdómen.

Análises clínicas

o médico pode recolher amostras de sangue, urina e fezes para analisar os níveis de bilirrubina e de outras substâncias. A bilirrubina é uma substância que passa do fígado para a vesícula biliar, e desta para o intestino. Se o ducto biliar comum estiver bloqueado por um tumor, a bilirrubina não consegue passar normalmente. O bloqueio pode fazer com que os níveis de bilirrubina no sangue, ou urina, fiquem muito elevados. Níveis de bilirrubina elevados podem ser devidos a um cancro ou a outras situações.


TAC (tomografia axial computorizada)

através de um aparelho de raios X ligado a um computador obtém uma sequência de imagens detalhadas. O aparelho de raios X assemelha-se a um “donut” com um grande orifício. O doente é deitado numa cama que passa através desse orifício. À medida que a cama se desloca lentamente através do orifício são tirados vários raios X. O computador junta os raios X, de modo a criar imagens do pâncreas e de outros órgãos, bem como dos vasos sanguíneos no abdómen.

Ultrasonografia (ecografia)

Este dispositivo utiliza ondas ultrassónicas não audíveis para o ser humano. As ondas de som geram um padrão de ecos à medida que são reflectidas nos órgãos internos. Os ecos criam imagens do pâncreas e dos outros órgãos no interior do abdómen. Os tumores produzem ecos diferentes dos produzidos por tecidos normais.

A técnica de ultrassons pode realizar-se mediante um dispositivo externo, interno, ou ambos:


Ecografia transabdominal:
para obter imagens do pâncreas, o dispositivo de ultrassons é colocado sobre o abdómen e é movido lentamente em seu redor.


USE (Ecografia endoscópica): é inserido um tubo fino iluminado (endoscópio) através da boca e estômago do doente até ao início do intestino delgado. Na extremidade do endoscópio existe um dispositivo de ultrassons. O endoscópio é retirado lentamente do intestino em direcção ao estômago para obter imagens do pâncreas e dos órgãos e tecidos adjacentes.

CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada)

é inserido um endoscópio através da boca e estômago até ao início do intestino delgado. O médico faz deslizar um tubo mais pequeno (catéter) através do endoscópio até aos ductos biliares e pancreáticos. Depois de injectar um contraste nos ductos através do catéter, obtêm-se imagens por raios X. Os raios X podem mostrar se os ductos apresentam um estreitamento ou se estão obstruídos por um tumor ou qualquer outro motivo.

CPT (colangiografia percutânea transhepática)

é injectado um contraste mediante uma agulha fina inserida na pele e através do fígado. A não ser que haja um bloqueio, o contraste deverá circular livremente ao longo dos ductos biliares. O contraste faz com que os ductos biliares apareçam nas imagens obtidas por raios X. A partir das imagens, o médico poderá determinar se existe um bloqueio causado por um tumor ou outra situação.

Biópsia

nalguns casos, pode ser extraída uma amostra de tecido. Posteriormente, o patologista irá determinar a possível presença de células neoplásicas através da observação ao microscópico do tecido, que pode ser obtido de várias formas. Uma delas consiste na inserção de uma agulha no pâncreas para remover as células. Este procedimento é designado por aspiração por agulha fina. Esta agulha é guiada pelos raios X ou ultrassons. Por vezes, durante a realização de uma USE ou uma CPRE é recolhida uma amostra de tecido. Outra forma de recolher tecido é através de cirurgia.


Determinação do estadio do cancro do pâncreas


Quando é diagnosticado um cancro do pâncreas, o médico necessita de determinar o estadio de evolução ou extensão da doença, de modo a delinear o melhor tratamento. A determinação do estadio é uma tentativa cautelosa de estabelecer o tamanho do tumor no pâncreas, saber se o cancro metastizou e, em caso afirmativo, para que zonas.


A determinação do estadio de evolução do cancro do pâncreas pode efectuar-se no momento em que é feito o diagnóstico. No entanto, o doente pode necessitar de realizar mais exames, tais como análises ao sangue, TAC, ultrassonografia, laparoscopia ou angiografia. Os resultados destes exames permitirão ao médico decidir qual o tratamento mais adequado.


Como será a fase de tratamento do cancro do pâncreas?


Muitos doentes com cancro do pâncreas exigem ter um papel activo nas decisões sobre os cuidados médicos que lhes são prestados. Querem estar o mais informados possível sobre a sua doença e as opções de tratamento. Contudo, o choque e a tensão que as pessoas habitualmente sentem após um diagnóstico de cancro fazem com que seja difícil pensar em tudo o que gostariam de perguntar ao médico. Muitas vezes, é útil preparar uma lista de perguntas antes da consulta. Para ajudar a relembrar o que o médico disse, os doentes podem tirar apontamentos ou pedir autorização para utilizar um gravador. Alguns doentes querem ainda ter consigo um familiar ou amigo quando falam com o médico – para participar na discussão, tomar notas ou simplesmente ouvir.


O cancro do pâncreas é ainda muito difícil de controlar com os tratamentos actualmente disponíveis. Por esse motivo, muitos médicos encorajam os doentes com esta patologia a considerar a hipótese de participar num ensaio clínico. Os ensaios clínicos são uma opção importante para pessoas com cancro do pâncreas em qualquer estadio.


Presentemente, o cancro do pâncreas só pode ser curado quando detectado num estadio precoce, antes da sua disseminação. Quando não é possível a cura, alguns doentes e os seus médicos optam pelo tratamento paliativo; este tem como objectivo melhorar a qualidade de vida através do controlo da doença e de outras complicações provocadas pela doença. Existem tratamentos que podem controlar a doença e ajudar os doentes a viver mais tempo e a sentir-se melhor. O médico pode encaminhar os doentes para um hospital aonde uma equipa multidisciplinar orientará o seu tratamento - cirurgiões, oncologistas e radioterapeutas.

Quais os tratamentos para o cancro do pâncreas?



O médico pode descrever as opções de tratamento e discutir os resultados esperados para cada opção terapêutica decidida em reunião multidisciplinar. O médico e o doente podem trabalhar em conjunto no desenvolvimento de um plano de tratamento adaptado às necessidades do doente.

Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... o tratamento

1

Qual é o meu diagnóstico?
2 Em que zona do pâncreas teve origem o cancro?
3 Há alguma evidência de que o cancro se tenha disseminado? Qual é o estadio de evolução da doença?
4 Necessito de realizar mais exames para determinar se a doença metastizou?
5

Quais são as minhas opções de tratamento? Qual é que me recomenda? Porquê?

6 Quais são os benefícios esperados para cada tipo de tratamento?
7 Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários dos tratamentos?
8 Qual é o custo estimado do tratamento? Este tratamento está abrangido pelo meu seguro?
9 De que modo o tratamento irá afectar a minha actividade normal?
10 A participação num ensaio clínico será adequada para o meu caso?

O tratamento depende da zona do pâncreas onde o tumor teve origem e da sua metastização. Ao elaborar o plano do tratamento, a equipa multidisciplinar tem em consideração outros factores, designadamente a idade e o estado geral do doente.

Os doentes com cancro do pâncreas podem ter várias opções de tratamento. Dependendo do tamanho e do estadio de evolução, o cancro do pâncreas pode ser tratado com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Alguns doentes são submetidos a uma combinação de tratamentos.

Quais são os possíveis efeitos secundários o tratamento do cancro do pâncreas?


Uma vez que o tratamento do cancro pode danificar células e tecidos saudáveis, é possível ocorrerem efeitos secundários ou indesejáveis. Estes efeitos dependem de vários factores, designadamente o tipo e a intensidade do tratamento do tratamento. Os efeitos secundários podem não ser os mesmos para todas as pessoas e podem, inclusivamente, variar entre as diversas sessões de tratamento. Os médicos e enfermeiros irão explicar quais os possíveis efeitos secundários resultantes do tratamento e como lidar com eles.

Controlar a Dor


A dor é um problema comum nas pessoas com cancro do pâncreas. O tumor pode provocar dor, derivada da pressão contra nervos e outros órgãos.


O médico ou um especialista no controlo da dor podem aliviar ou reduzir a dor de diversos modos:


Medicamentos para a dor: a dor pode ser aliviada através de medicamentos (estes medicamentos podem provocar sonolência e obstrução intestinal, embora o descanso e o recurso a laxantes possam ser úteis).

Radiação: a dor pode ser aliviada com a utilização de raios de alta energia, uma vez que estes irão reduzir o tumor.

Bloqueio anestésico: o médico pode injectar álcool na área envolvente de alguns nervos do abdómen, de modo a bloquear a sensação de dor.

Cirurgia: o cirurgião pode cortar determinados nervos para bloquear a dor.

O médico pode sugerir outras formas de aliviar ou reduzir a dor. Por exemplo, poderá recorrer a massagens, acupunctura ou acupressão, em simultâneo com outras abordagens, para ajudar a aliviar a dor. Além disso, o doente pode aprender a aliviar a dor através de técnicas de relaxamento, tais como ouvir música calma ou respirar devagar e confortavelmente.

Nutrição


As pessoas com cancro do pâncreas podem não ter apetite, sobretudo se se sentirem desconfortáveis ou cansadas. Além disso, os efeitos secundários do tratamento, tais como falta de apetite, náuseas ou vómitos podem agravar o problema. Os alimentos podem ter um sabor diferente. Todavia, os doentes devem tentar obter calorias e proteínas suficientes para controlar a perda de peso, manter a força e ajudar a cicatrização. Uma boa nutrição ajuda muitas vezes as pessoas com cancro a sentirem-se melhor e a terem mais energia.


É importante delinear um plano rigoroso e realizar exames médicos completos. O cancro do pâncreas e seu tratamento podem dificultar a digestão dos alimentos e a manutenção de níveis adequados de glicose no sangue. O médico irá controlar o doente no que respeita à perda de peso, fraqueza e falta de energia. Os doentes podem necessitar de fármacos para repor as enzimas e as hormonas produzidas pelo pâncreas. O médico irá observar atentamente o doente e ajustará as doses destes fármacos.


O médico, nutricionista ou outros técnicos de saúde podem sugerir ao doente algumas formas de manter uma alimentação saudável.

Cuidados de Seguimento


Os cuidados de acompanhamento (follow-up) após o tratamento do cancro do pâncreas são uma parte crucial do tratamento. Os doentes não devem hesitar em debater estes cuidados com o médico. A realização de exames médicos completos e periódicos permite detectar quaisquer alterações ao estado de saúde. Qualquer problema que se desenvolva pode ser, assim, identificado e tratado. Os exames médicos podem incluir exame físico, análises clínicas e procedimentos de imagiologia.


Qual o papel da cirurgia no tratamento do cancro do pâncreas?


Os doentes podem ser submetidos apenas a cirurgia ou a uma combinação de cirurgia com radioterapia, ou quimioterapia.


O cirurgião pode remover a totalidade ou parte do pâncreas. A extensão da cirurgia depende da localização e do tamanho do tumor, do estadio de evolução da doença e do estado geral do doente.

Operação de Whipple: se o tumor estiver localizado na cabeça do pâncreas (a parte mais larga), o cirurgião remove a cabeça do pâncreas, uma parte do intestino delgado, o ducto biliar e o estômago. Podem também ser removidos outros tecidos adjacentes.

Pancreatectomia distal: se o tumor estiver localizado no corpo e na cauda do pâncreas, o cirurgião remove estas duas zonas. Também o baço pode ser removido.

Pancreatectomia total: neste caso, o cirurgião remove a totalidade do pâncreas, uma parte do intestino delgado, uma parte de estômago, o ducto biliar comum, a vesícula biliar, o baço e os gânglios linfáticos adjacentes.

Por vezes, o cancro não pode ser totalmente removido. Mas se o tumor estiver a bloquear o ducto biliar comum ou o duodeno, o cirurgião pode criar um bypass. O bypass ajuda os fluidos a passar através do aparelho digestivo e pode reduzir a icterícia e a dor resultantes de um bloqueio.


Nalguns casos, o bloqueio pode ser aliviado sem recorrer a cirurgia de bypass. O médico utiliza um endoscópio para colocar um stent na zona bloqueada. Um stent é um tubo com uma rede metálica, ou de plástico, que ajuda a manter o ducto ou o duodeno abertos.


Após a cirurgia, alguns doentes são alimentados com líquidos, por via intravenosa (IV) e através de sondas colocadas no abdómen. Os doentes regressam, lenta e gradualmente, à ingestão de alimentos sólidos pela boca. As sondas são retiradas algumas semanas após a cirurgia.

Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a cirurgia

1

A que tipo de cirurgia irei ser submetido?
2 Como me irei sentir, depois da operação?
3 Se tiver dores, como irei ser tratado?
4 Quantas operações destas se fazem no Hospital onde vou ser operado?
5

De que outros tratamentos irei necessitar?

6 Quanto tempo ficarei hospitalizado?
7 Irei necessitar de uma sonda após a cirurgia? Irei necessitar de alimentação especial?
8 Existem alguns efeitos a longo prazo?
9 Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
10 Com que frequência irei necessitar de realizar exames médicos completos?

Quais os possíveis efeitos secundários da cirurgia?

A cirurgia do cancro do pâncreas é uma cirurgia major. Os doentes necessitam de ficar hospitalizados durante alguns dias após a cirurgia. Os doentes podem sentir-se fracos e cansados, sendo que a maioria necessita de ficar em repouso, em casa, durante um mês. O tempo até à recuperação é variável.


Os efeitos secundários da cirurgia dependem da extensão da cirurgia, do estado geral do doente e de outros factores. A maioria dos doentes tem dores nos primeiros dias após a cirurgia. A dor pode ser controlada com medicação; os doentes devem falar sobre o alívio da dor com o médico ou enfermeiro.


A excisão de parte ou da totalidade do pâncreas pode dificultar a digestão dos alimentos. A equipa médica pode sugerir um plano alimentar ou receitar medicamentos destinados a aliviar a diarreia, a dor, as cãibras ou as sensações de enfartamento.


Durante a fase de recuperação pós-operatória, o médico irá monitorizar minuciosamente a alimentação e o peso do doente. Inicialmente, o doente apenas pode ingerir líquidos; poderá receber outros alimentos por via intravenosa ou através de uma sonda colocada no intestino. Os alimentos sólidos serão gradualmente adicionados ao regime alimentar.


Após a cirurgia, os níveis de hormonas ou enzimas pancreáticas podem estar muito baixos. Os doentes com níveis insuficientes de insulina podem desenvolver diabetes. O médico pode administrar ao doente insulina, outras hormonas e enzimas.

Qual o papel da radioterapia no tratamento do cancro do pâncreas?


Radioterapia (também designada por terapia por radiações): utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas. Um grande aparelho emite a radiação para o abdómen. A radioterapia pode ser utilizada isoladamente ou combinada com cirurgia, quimioterapia ou ambas.


A radioterapia é um tratamento local. Apenas afecta as células cancerígenas da área tratada. Para serem submetidos a radioterapia, os doentes devem deslocar-se ao hospital ou à clínica, na maioria dos casos 5 dias por semana durante várias semanas.


A radioterapia pode ser utilizada para destruir as células cancerígenas que possam ter restado nessa área após a cirurgia. A radioterapia também é utilizada para aliviar a dor e outros problemas causados pelo cancro.

Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a radioterapia

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Porque necessito deste tratamento?
2 Quando começam os tratamentos? Quando irão terminar?
3 Como me irei sentir durante a radioterapia? Existem efeitos secundários?
4 O que posso fazer para cuidar de mim durante a radioterapia? Há alguns alimentos que deva comer ou evitar?
5 Como iremos saber se a radiação está a resultar?
6 Conseguirei manter a minha actividade normal durante o tratamento?

Quais os principais efeitos secundários da radioterapia?

A radioterapia pode provocar uma sensação de grande cansaço à medida que o tratamento prossegue. O descanso é importante mas, habitualmente, os médicos aconselham os doentes a permanecer activos, dentro do possível. Além disso, quando os doentes recebem radioterapia, a pele na área tratada pode ficar avermelhada, seca e sensível.


A radioterapia ao abdómen pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou outros problemas relacionados com a digestão. Para controlar estes sintomas, a equipa médica poderá administrar medicação ou sugerir alterações alimentares. Na maioria dos doentes, os efeitos secundários da radioterapia desaparecem assim que o tratamento termina.

Qual o papel da quimioterapia no tratamento do cancro do pâncreas?


A quimioterapia é um tratamento que utiliza fármacos para matar as células cancerígenas. Os médicos também recorrem à quimioterapia para aliviar a dor e outros problemas causados pelo cancro do pâncreas. A quimioterapia pode ser utilizada isoladamente (em monoterapia ou em associação) ou combinada com cirurgia e radioterapia.


A quimioterapia é um tratamento sistémico: regra geral, o médico administra os fármacos por via intravenosa, ainda que alguns tratamentos também possam ser administrados por via oral (pela boca). Depois de entrarem na corrente sanguínea, os fármacos circulam por todo o organismo.


Em geral, a quimioterapia é administrada em regime ambulatório num hospital, clínica, consultório médico ou em casa do doente. Contudo, dependendo dos fármacos administrados e do estado geral, o doente pode necessitar de ser hospitalizado.

Quais os principais efeitos secundários da quimioterapia?

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos e da dose que os doentes recebem, bem como da forma como são administrados. Além disso, tal como nos outros tipos de tratamento, os efeitos secundários variam de doente para doente.


A quimioterapia sistémica afecta as células de divisão rápida em todo o organismo, inclusive as células sanguíneas. As células sanguíneas lutam contra a infecção, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todas as zonas do corpo.

Quando os fármacos anti-cancerígenos danificam células sanguíneas saudáveis, os doentes ficam mais susceptíveis a infecções, a equimoses ou a hemorragias e podem ter menos energia. As células da raiz do cabelo e as que revestem internamente o aparelho digestivo também se dividem rapidamente.

Como resultado, os doentes podem perder o cabelo e apresentar outros efeitos secundários tais como, perda de apetite, náuseas e vómitos, diarreia ou feridas na boca. Regra geral, estes efeitos secundários desaparecem gradualmente durante os períodos de recuperação entre tratamentos ou depois de o tratamento acabar. A equipa médica pode sugerir aos doentes formas de aliviar os efeitos secundários.

Perguntas que pode fazer ao seu médico sobre... a quimioterapia

1

Porque necessito deste tratamento?
2 O que fará?
3 Que fármacos me irão ser administrados? Como serão administrados? Terei necessidade de ser hospitalizado?
4 O tratamento irá causar efeitos secundários? O que posso fazer relativamente a esses efeitos?
5

Durante quanto tempo me será administrado este tratamento?



Tirado do site : portal da oncologia portugês http://www.pop.eu.com/home.html

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Frase do dia

Frase do dia

Cancro dos ossos

Cancro do osso

Tipos

Existem dois tipos de tumores malignos dos ossos: os primários, ou seja, os que são originados a partir dos próprios componentes dos ossos; e os secundários, ou seja, os provocados pela disseminação à distância de algum cancro situado noutro órgão. Estes tumores secundários, denominados metástases, são em conjunto mais frequentes nos ossos e afectam predominantemente as pessoas com mais de 45 anos, podendo ter o seu foco primitivo em vários órgãos, sobretudo na mama, na próstata, no pulmão, na tiróide e no rim. Os tumores ósseos malignos primitivos, que conjuntamente constituem cerca de 1% de todos os cancros do organismo, podem ser classificados em vários tipos, de acordo com as células a partir das quais se desenvolvem.

O sarcoma osteogénico é o cancro do osso mais frequente e agressivo. Costuma surgir entre os 10 e os 20 anos de idade, normalmente em ossos longos, como o fémur ou a tíbia. Embora não exista, na maioria dos casos, qualquer antecedente que explique o seu desenvolvimento, por vezes, é provocado por um traumatismo ou como complicação da doença de Paget.

O sarcoma de Ewing é um tumor maligno constituído por células muito diferentes, destacando-se pela sua agressividade. Costuma manifestar-se entre os 5 e os 15 anos de idade, afectando por ordem de frequência o fémur, a tíbia, o úmero, o perónio, a omoplata, o crânio, as costelas e a bacia. Embora se trate de um tumor solitário, por vezes, é possível que se desenvolvam vários tumores.

O condrossarcoma é um tumor maligno originado na cartilagem do osso, sendo menos agressivo do que os anteriores. Costuma surgir entre os 30 e os 60 anos de idade, ocasionalmente provocado pela evolução maligna de um tumor benigno e costuma localizar-se, por ordem de frequência, na bacia, nas omoplatas, nas costelas e nos ossos longos, como o fémur ou a tíbia.

O fibrossarcoma é um tumor maligno originado nas células do tecido conjuntivo do osso e costuma evidenciar-se ao longo dos primeiros vinte anos de vida, embora também se possa manifestar nos idosos, sobretudo como complicação da doença de Paget. Normalmente, localiza-se nos ossos longos, nomeadamente no fémur e na tíbia.

O mieloma é um tumor maligno formado por células originadas nos glóbulos brancos da medula óssea, sendo o tipo de cancro do osso mais frequente entre os idosos, pois costuma manifestar-se a partir dos 40 anos. Dado que as suas repercussões são muito específicas, a nossa obra dedica-lhe um capítulo nas doenças dos glóbulos brancos.

Manifestações e evolução

O sintoma inicial do cancro nos ossos costuma corresponder a uma dor mais ou menos localizada ou difusa, de intensidade variável consoante os casos, embora seja geralmente uma dor constante, que muitas vezes impossibilita o movimento.

Caso o tumor seja superficial, costuma provocar uma dilatação perceptível como uma tumefacção por baixo da pele, que se torna densa, brilhante e fina nessa zona. Por vezes, como acontece no caso de sarcoma de Ewing, as primeiras manifestações do tumor correspondem a uma série de sinais e sintomas inespecíficos, tais como febre, fadiga, cansaço, falta de apetite e mal-estar, que por vezes desaparecem durante um determinado período de tempo, após o qual voltam a manifestar-se. Por outro lado, quando o tumor ao longo do seu crescimento invade o osso cortical, debilitando-o, costuma provocar uma especial predisposição para as fracturas, em alguns casos provocadas por traumatismos mínimos ou até mesmo espontaneamente. Caso não sejam detectados ou tratados a tempo, os tumores malignos têm tendência para invadir os tecidos adjacentes, com a consequente manifestação de sinais e sintomas, assim como para se disseminarem à distância através da circulação linfática e sanguínea, levando à formação de tumores secundários ou metástases em órgãos mais ou menos afastados, nomeadamente nos pulmões e no cérebro. Nas fases mais avançadas, a evolução é semelhante à de todos os cancros, com uma deterioração do estado geral que conduz inevitavelmente à morte.

Tratamento

O tratamento depende do tipo de tumor, da sua extensão, da existência de metástases noutros órgãos e da idade e estado físico do paciente. As principais formas de tratamento, que podem ser combinadas entre si de acordo com as especificidades de cada caso, são a cirurgia, a radioterapia (aplicação de radiações) e a quimioterapia (administração de medicamentos citostáticos).

Sempre que seja possível, deve-se tentar extrair o foco do tumor e os tecidos adjacentes, para se ter uma certa margem de segurança. Por vezes, caso o tumor seja muito agressivo ou volumoso, pode ser necessário recorrer à amputação.


INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Caso os cancros dos ossos nao sejam detectados e
e tratados, o seu prognóstico não costuma ser muito favorável. Contudo, quando o tumor é diagnosticado antes de metastizar, a instituição precoce do tratamento adequado melhora o prognóstico e aumenta a sobrevivência. De qualquer forma, o prognóstico depende, sobretudo, da natureza do tumor e da sua facilidade de disseminação, que ocasionalmente ocorre em etapas muito precoces.

• Perante um sarcoma osteogénico, que se caracteriza pela sua agressividade, apenas se consegue obter a sobrevivência do paciente através de um tratamento efectuado ao longo das primeiras fases de evolução, quando as metástases ainda não foram produzidas, ou através do recurso à sua amputação.

• Em caso de sarcoma de Ewing, também extremamente agressivo, embora seja possível obter-se a sobrevivência do paciente durante alguns anos com o tratamento precoce, o diagnóstico é menos favorável quando apenas é detectado após um determinado tempo de evolução.

• Como o condrossarcoma é menos agressivo do que os anteriores e costuma levar alguns anos a provocar metástases, o seu tratamento em fases precoces proporciona, na maioria dos casos, a obtenção da sobrevivência do paciente.

• Dado que o fibrossarcoma também costuma levar alguns anos a originar metástases, o seu prematuro tratamento aumenta as possibilidades de sobrevivência do paciente.


Fonte: http://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=380

sábado, 12 de Setembro de 2009

Frase do dia

Encontrei um vídeo que achei lindíssimo, acho que o deveria partilhar...

Inocência e generosidade.

Cancro hereditário

Síndrome de Li-Fraumeni é uma doença hereditária rara, autossómica dominante. É nomeada em honra de Frederick Pei Li e Joseph F. Fraumeni, Jr., médicos americanos que primeiro reconheceram e descreveram a síndrome. Esta síndrome aumenta a susceptibilidade ao cancro. A síndrome está ligada a mutações do gene p53, que normalmente ajuda no controlo do ciclo celular. Mutações podem ser herdadas ou podem advir 'de novo', cedo na embriogénese ou nas células germinais dos pais.

Wikipedia

A síndrome de Li-Fraumeni representa a associação de sarcoma, tumor cerebral, leucemia, cancro da mama e carcinoma do córtex da supra-renal numa família. Os critérios completos são sarcoma antes dos 45 anos, pelo menos um familiar de primeiro grau com qualquer tumor antes dos 45 anos, e um familiar de primeiro ou segundo grau com cancro antes dos 45 anos ou sarcoma em qualquer idade. Existem ainda critérios incompletos que fazem suspeitar desta síndrome, nomeadamente, dois familiares de primeiro grau com cancro do espectro da Síndrome de Li-Fraumeni, um deles diagnosticado antes dos 45 anos, ou criança ou adulto jovem com carcinoma do córtex da supra-renal, ou criança ou jovem adulto com idade inferior a 45 anos e múltiplos tumores primários pertencentes a espectro da síndrome.

A síndrome de Li-Fraumeni é causada por mutações germinativas no gene supressor tumoral TP53, o que confere um risco de cancro de 40% nas primeiras duas décadas de vida e de 80-90% ao longo da vida.

http://www.oncologiapediatrica.org/index.php?/site/ver_artigo/205

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

frase do dia

O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior.
(Alfred Armand Montapert)

Por isso, vivam, riam, amem, tudo o que conseguirem nesta vida...
Para sugestões de frases, poemas ou outros temas que queiram ver postados no nosso blog ( pois este blog é meu e vosso) enviem para o meu e-mail sugestões angeldebi@hotmail.com.

Bjinhos

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

O cancro oral não escolhe idade, sexo, raça nem classe social!!!


Esta doença, nas suas distintas formas engloba pessoas de todas as faixas etárias, principalmente as que consomem álcool e/ou fumam. Anualmente, são registados, em todo o mundo, entre nove e dez milhões de novos casos da doença. Deste total, cerca de 400 mil são cancros da boca e da faringe.

Outros dados revelam que a maior parte dos tumores de cabeça e pescoço ocorrem nas vias aereodigestivas superiores, principalmente na boca, faringe e laringe. O cancro oral é mais comum que a leucemia, do que o cancro da pele, do cérebro, do fígado, e dos ovários. As taxas de incidência de cancro dessas vias, em países não-desenvolvidos, são superadas somente pelos tumores de colo do útero. Os cancros da boca e faringe ocupam a terceira posição nos países não-desenvolvidos e a oitava nos desenvolvidos. O total de casos incidentes dessas doenças atingiu cerca de 270 mil pessoas no ano 2000.

No caso específico do cancro da boca, uma das principais causas de seu agravamento em numerosos pacientes é o primeiro diagnóstico. Inicialmente, o médico dificilmente considera a hipótese do paciente estar com esta patologia. O doente, da mesma maneira, não toma as devidas precauções. Assim, torna-se evidente que a consciencilização e a informação constituem factores essenciais para a detecção precoce. Isto é muito importante, pois o tratamento de qualquer tipo de cancro na fase inicial da doença aumenta muito a possibilidade de cura e recuperação do doente oncológico.

Diferentes manifestações do cancro oral:






Fibroma; Linfogioma; Neurofibroma; Cancro da lingua

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Informática Médica, pelos alunos do 3º ano de Medicina Dentária.

Conteúdo da responsabilidade de:

Ana Seixas Carlos

Joana Duarte

Sofia Ferreira

Imagens retiradas de:

www.uv.es/medicina-oral

Conteúdo adaptado de:

Laskaris, G.,(1994).Color Atlas of Oral Diseases. 1st edition. Thieme, New york

Cawson, R.A., Odell, E.W.(1998).Essentials of Oral Pathology and Oral Medicine. 6th edition. Churchill Livingstone, Toronto

Sapp, J.P., Eversole, L.R., Wysocki, G.P., (1999). Patologia Oral e Maxilofacial Contemporânea. Lusociência - loures


Cancro e outros tumores da boca

As formas de cancro da cavidade bucal manifestam-se numa percentagem muito elevada de pessoas. É também muito frequente, comparado com outros cancros e considerando o tamanho pequeno da boca relativamente ao resto do corpo. Juntamente com o cancro do pulmão e da pele, o cancro da boca é mais fácil de prevenir do que muitos outros.

Os tumores não cancerosos (benignos) e cancerosos (malignos) podem ter origem em qualquer tipo de tecido na boca e à volta da mesma, incluindo ossos, músculos e nervos. O cancro que tem origem no revestimento interno da boca ou nos tecidos superficiais chama-se carcinoma; o cancro originado nos tecidos mais profundos chama-se sarcoma. Só em raras ocasiões as formas de cancro da região bucal são consequência da propagação de um cancro de outras partes do organismo, sendo os pulmões, as mamas e a próstata as mais comuns.

O exame físico para detectar o cancro da boca deve constituir uma parte integral dos exames médicos e odontológicos, dado que é fundamental a sua detecção prematura. Geralmente, as formas cancerosas com menos de 15 mm de diâmetro podem curar-se facilmente. Infelizmente, a maioria das formas de cancro da boca diagnosticam-se somente quando o cancro já se propagou aos gânglios linfáticos do maxilar e do pescoço. Devido à detecção tardia, 25 % dos casos de cancro da boca são mortais.

Factores de risco

O risco de cancro da boca é maior nos fumadores ou em pessoas que consomem bebidas alcoólicas. É provável que a causa do cancro se deva à combinação de álcool e de tabaco, mais do que a um destes factores separadamente. Dois terços dos casos de cancro da boca afectam os homens, mas o hábito do tabaco entre as mulheres, cada vez mais espalhado durante as últimas décadas, faz com que esta diferença vá desaparecendo gradualmente.

O cigarro é uma das causas mais prováveis de cancro da boca, mais do que fumar charutos ou cachimbo. Uma zona castanha, plana e sardenta (a mancha do fumador) pode aparecer nos lábios sobre o ponto onde habitualmente se segura o cachimbo ou o cigarro. Somente uma biopsia (extracção de uma amostra de tecido para o seu exame ao microscópio) pode determinar se a mancha é cancerosa.

As irritações repetidas que os bordos de um dente partido podem causar, as obturações ou a prótese dentária (como coroas e pontes) podem aumentar o risco de cancro da boca. As pessoas que sofreram de algum tipo de cancro oral estão sujeitas a um maior risco de contrair outras formas de cancro.

Sintomas e diagnóstico

O cancro da boca aparece com maior frequência nos lados da língua, no pavimento da boca e na parte posterior do palato (palato mole). As formas cancerosas da língua e do pavimento da boca são habitualmente carcinomas de células escamosas. O sarcoma de Kaposi é um cancro dos vasos sanguíneos próximos da pele. É mais frequente na boca, habitualmente no palato das pessoas que sofrem de SIDA.

O cancro localiza-se frequentemente no interior das bochechas e dos lábios das pessoas que mascam e aspiram tabaco. Estas formas de cancro são muitas vezes carcinomas verrugosos de crescimento lento.

O melanoma, um cancro que habitualmente se desenvolve na pele, aparece com menor frequência na boca. Recomenda-se a ida ao médico, ou ao dentista, se alguma zona da boca apresentar uma alteração de cor recente, parda ou escura, dado que pode tratar-se de um melanoma. No entanto, não se deve confundir um melanoma com as áreas de pigmentação normal da boca, como acontece com algumas famílias, particularmente entre as pessoas de pele escura e algumas populações do Mediterrâneo.

Língua

O cancro da língua é invariavelmente indolor na sua fase inicial e detecta-se habitualmente durante um exame odontológico de rotina.

É característico o cancro aparecer nos lados da língua, embora raramente se desenvolva por cima desta, com excepção de alguém afectado durante anos por sífilis não tratada. Os carcinomas de células escamosas da língua muitas vezes aparecem como úlceras abertas e tendem a crescer para dentro das estruturas subjacentes.

Uma zona avermelhada na boca (eritroplasia) é uma lesão precursora de cancro. Alguém a quem apareça uma zona avermelhada nos bordos da língua deve dirigir-se ao médico ou ao dentista.

Pavimento da boca

O cancro do pavimento da boca é invariavelmente indolor na sua fase inicial e, geralmente, detecta-se durante um exame odontológico de rotina. Tal como o cancro da língua, esta forma de cancro é habitualmente um carcinoma de células escamosas que tem um aspecto de úlceras abertas e tende a crescer para dentro das estruturas subjacentes.

Alguém a quem apareça uma zona avermelhada (eritroplasia) no pavimento da boca deve dirigir-se ao médico ou ao dentista porque isso pode indicar a existência de um cancro.

Palato mole

O cancro do palato mole pode ser um carcinoma de células escamosas ou um cancro que começa nas pequenas glândulas salivares do palato mole. O carcinoma de células escamosas muitas vezes tem o aspecto de uma úlcera. Frequentemente, o cancro que começa nas pequenas glândulas salivares aparece como uma inflamação ligeira.

Revestimento da boca

Quando o revestimento interno da boca (mucosa bucal) se irrita durante muito tempo, pode desenvolver-se uma mancha branca e plana que não sai esfregando (leucoplasia). O ponto irritado aparece branco porque se trata de uma camada espessada de uma substância chamada queratina que cobre a parte mais externa da pele e que normalmente é menos abundante no revestimento da boca. Ao contrário de outras áreas brancas que se desenvolvem na boca, geralmente pela acumulação de alimentos, bactérias ou fungos, a leucoplasia não se pode limpar. Quase sempre a leucoplasia é o resultado de uma resposta de protecção normal da boca contra outras feridas. Mas no processo de formação desta cobertura protectora, algumas células podem transformar-se em cancerosas.

Em contraste, uma zona avermelhada da boca (eritroplasia) aparece em consequência de um adelgaçamento da mucosa bucal. A zona aparece vermelha porque os capilares subjacentes são mais visíveis. A eritroplasia é uma lesão que precede um cancro de um modo muito mais alarmante que a leucoplasia. A pessoa que tenha qualquer área vermelha na boca deve dirigir-se ao médico ou ao dentista.

Uma úlcera é uma ferida que se forma no revestimento da boca quando a camada das células superiores se deteriora, deixando ver o tecido subjacente. A úlcera é branca, devido às células mortas que estão no interior da ferida. As úlceras da boca são, com frequência,. o resultado da irritação ou de uma ferida nos tecidos, por exemplo, quando se morde acidentalmente ou se lesiona a parte interna da bochecha. Outras causas são as aftas e as substâncias irritantes, como a aspirina no caso de se manter contra as gengivas. As úlceras não cancerosas são invariavelmente dolorosas. Uma úlcera que não doa e dure mais de 10 dias pode ser pré-cancerosa ou cancerosa e deve ser examinada por um médico ou um dentista.

Uma pessoa que masque tabaco ou use rapé pode desenvolver um rebordo branco com cristas na parte interna das bochechas. Estas tumefacções podem transformar-se num carcinoma verrugoso.

Gengivas

Uma tumefacção visível ou uma zona elevada na gengiva não é causa de alarme. No entanto, se tais factores não forem consequência de abcessos periodontais ou do abcesso de um dente, pode tratar-se de um tumor não canceroso provocado por irritação. Os tumores não cancerosos são relativamente frequentes e, se for necessário, podem extirpar-se facilmente por cirurgia. Dado que o factor de irrigação permanece, as recidivas dos tumores não cancerosos apresentam-se entre 10 % e 40 % das pessoas. Se o factor irritante for uma dentadura postiça mal adaptada, esta deve ajustar-se ou ser substituída.

Lábios

Os lábios, com maior frequência o inferior, podem sofrer danos pelo sol (queilose actínica), que se manifesta com gretas nos lábios e alteração da cor (de vermelho, branco ou vermelho-esbranquiçado ao mesmo tempo). O médico, ou o dentista, pode fazer uma biopsia para determinar se estas manchas desiguais são cancerosas. Em climas soalheiros é mais comum o cancro da parte externa do lábio. O cancro do lábio e de outras partes da boca é muitas vezes duro ao tacto e está aderente ao tecido subjacente, enquanto a maioria das tumefacções não cancerosas nestas zonas se movem com facilidade. As anomalias do lábio superior são menos comuns do que as do lábio inferior, mas são mais propensas a transformarem-se num cancro e requerem cuidados médicos.

Uma pessoa que masca ou aspira tabaco pode desenvolver bordos brancos com cristas na parte interna dos lábios, que podem transformar-se num carcinoma verrugoso.

Cancro ao nível do lábio inferior

Glândulas salivares

Os tumores das glândulas salivares podem ser cancerosos ou não cancerosos. Podem surgir em qualquer dos três pares das principais glândulas salivares: a glândula parótida (na parte lateral da cara, em frente do ouvido), a glândula submaxilar (debaixo da parte lateral do maxilar inferior) ou a glândula sublingual (no pavimento da boca em frente da língua). Podem também desenvolver-se tumores nas glândulas salivares menores, que estão dispersas por todo o revestimento da boca. O crescimento inicial dos tumores das glândulas salivares pode ser doloroso ou não. Os tumores cancerosos tendem a crescer rapidamente e são duros ao tacto.

Maxilar inferior

Vários tipos de quistos não cancerosos provocam dor e inchaço no maxilar inferior. Muitas vezes, estão próximos de um molar do siso que não se pode desenvolver, por ser impedido pelo próprio maxilar, e, embora não sejam cancerosos, podem destruir áreas consideráveis do maxilar à medida que se propagam. Certos tipos de quistos são mais propensos a repetir-se. Os odontomas são tumores duros não cancerosos, de estrutura parecida com a do dente e com o aspecto de pequenos dentes adicionais e deformados. Dado que podem ocupar o lugar dos dentes normais ou interferir no seu crescimento, muitas vezes têm de ser extraídos cirurgicamente.

Frequentemente, o cancro do maxilar inferior produz dor e um mal-estar parecido com a sensação de um anestésico bucal à medida que vai perdendo o seu efeito. Geralmente, as radiografias não distinguem o cancro do maxilar dos quistos, tumores ósseos não cancerosos, nem das formas cancerosas que se propagaram de outras partes do organismo. No entanto, as radiografias habitualmente detectam os bordos irregulares do cancro do maxilar e podem mostrar se o cancro consumiu as raízes dos dentes mais próximos. Geralmente, para confirmar um diagnóstico de cancro do maxilar, requer-se uma biopsia (extracção de uma amostra de tecido e o seu exame ao microscópio).

Tumor unilateral da parótida que provoca uma paralisia facial do lado esquerdo

Prevenção e tratamento

O risco de cancro dos lábios reduz-se protegendo-se do sol. Evitar o consumo excessivo de álcool e de tabaco pode prevenir a maioria das formas de cancro da boca. Outra das medidas preventivas consiste em reparar os bordos ásperos de dentes quebrados ou das obturações. Alguma evidência indica que as vitaminas antioxidantes, como as vitaminas C e E e os betacarotenos, podem servir de protecção adicional, mas necessita-se de mais estudos a esse respeito. Se os danos do sol afectam uma extensa área dos lábios, uma raspagem que retire toda a superfície externa, com meios cirúrgicos ou com raios laser, pode prevenir a evolução para formas de cancro.

A eficácia do tratamento de cancro bucolabial depende em grande medida da sua evolução. É raro que o cancro da boca se propague a outros pontos do organismo; no entanto, tende a invadir a cabeça e o pescoço. Se se extirparem a totalidade do cancro e os tecidos normais circundantes antes de o cancro se ter propagado para os gânglios linfáticos, a possibilidade de cura é alta. Se o cancro se propagou aos gânglios linfáticos, a cura é muito menos provável. Durante a intervenção cirúrgica extirpam-se, para além do cancro, os gânglios por baixo e à frente do maxilar inferior e os que se encontram ao longo do pescoço. A cirurgia para as formas de cancro da boca pode ser desfigurante e psicologicamente traumática.

Uma pessoa com cancro da boca ou da garganta pode receber radioterapia e cirurgia ou apenas radioterapia. A radioterapia destrói muitas vezes as células salivares, deixando a boca seca, o que pode trazer cáries e outros problemas dentários. Dado que os maxilares não saram bem quando são expostos à radiação, os problemas dentários tratam-se antes de administrar a radiação. Qualquer dente que possa ser problemático extrai-se, deixando decorrer o tempo necessário para a sua cicatrização. Uma boa higiene dentária é importante para as pessoas que recebem radioterapia por causa do cancro da boca. Esta higiene consiste em exames periódicos e um meticuloso cuidado em casa, com aplicações diárias de flúor. Depois de uma extracção, a terapia hiperbárica de oxigénio pode contribuir para o restabelecimento do maxilar.

O benefício terapêutico da quimioterapia é limitado para o cancro da boca. As pedras angulares do tratamento são a cirurgia e a radioterapia.



Fonte: http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D124

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

SONHOS, SAÚDE E DOENÇA... *

SONHOS, SAÚDE E DOENÇA... *


Sonhos podem ser metafóricos
Decodificados por profissionais,
Ou com amigos, é escrita gótica...
São pistas curadoras e naturais.

Sonhos podem ser reincidentes
Pra saúde são muito importantes,
São perigosas rotas inconscientes
Para se decifrar, seguir adiante...

Preste atenção ao que sonha
Pra as neuroses poder controlar.
Detectado o problema, a manha
Fica mais fácil de corrigir, sanar...

Poema inédito!
*Núcleo Temático Educativo.
Ibernise Maria M. Silva. Indiara (GO), 27.04.2007.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=35049

Frase do dia



A Esperança.
J. Norinaldo.

A esperança é uma flor que nunca murcha
Em qualquer estação nasce e floresce,
O seu perfume se renova a cada instante.
A cada pétala que se abre de um botão,
Como o nascer do filho da mãe gestante,
O alimento da alma como do corpo é o pão.

A esperança nasce junto com a vida,
O que seria da vida sem esperança?
Seria a noite sem a lua e as estrelas,
Seriam elas sem ninguém aqui pra vê-las,
Seria a terra sem o sorriso da criança,
Seria as ondas sem o vento a envolvê-las.

Seria o rio sem ter para onde correr,
Seria o peixe sem ter o rio pra viver,
Seria o navegar sempre a deriva,
Seria a vida sem o ar pra respirar.
Não seria nem preciso navegar
Imagine então para que viver...

A minha poesia carece de esperança,
A esperança é a minha inspiração,
E cada estrofe soa como numa prece,
Ao Jardineiro que a humanidade conhece.
Que regou com seu sangue esse jardim,
Você já se perguntou se realmente o merece?

Seus medos e angustias

O Cancro é segundo a Direccção Geral de Saúde e, é depois das doenças cardiovasculares, a segunda causa de morte em Portugal. Provavelmente é a doença mais temida do mundo moderno. Mesmo sendo um cancro que se possa curar, a angústia e o desespero de quem dele sofre tornam-se pesadíssimos.

O diagnóstico é acompanhado de medo, angústia e desespero, que envolvem não só o doente, mas toda a família e os amigos, consolidando estigmas e preconceitos sociais. Hoje em dia, com os grandes avanços no campo da Medicina, nomeadamente com o crescente desenvolvimento das terapêuticas anti-neoplásicas (quimioterapia, cirurgia, radioterapia e terapêutica biológica), as doenças oncológicas mudaram, sendo possível alcançar a cura para algumas, e, para outras, prolongar a vida muito para além do que seria de esperar pela história natural da doença. Assim, pode-se afirmar que, hoje em dia, há a possibilidade de controlar a doença.
No entanto, viver com uma doença crónica (doença de longa duração, que afecta profundamente a vida da pessoa, em que a intervenção médica é muitas vezes paliativa, visando mais o controlo dos sintomas do que a sua cura), implica uma tentativa de reconstrução da própria vida, envolvendo estratégias específicas para lidar com os sintomas, com as consequências percebidas da doença e com o ajustamento à doença, no âmbito das relações sociais.

ADAPTAÇÕES E MAMA

O projecto de vida vai ser alterado, com repercussões em todas as suas áreas. Esta mudança exige um grande esforço de adaptação a uma nova vida. É necessário aceitar e incorporar as limitações que a doença provoca. Neste sentido, a ajuda de um psicólogo é fundamental, para ajudar a pessoa a adaptar-se a uma nova condição de vida. Perante a sua nova condição, os próprios doentes auto-marginalizam-se, vivendo muitas vezes o estigma a eles associado, pelo que a desejada reconstrução de uma nova identidade e a busca de um novo sentido para a vida se tornam tarefas difíceis e demoradas. É necessário que o doente não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer. Deve integrar as limitações que a doença provoca na sua vida, e procurar ajustar-se a isso.
A doença reveste-se de características com grande carga emocional e social. E, tal como quando nos morre um familiar querido e temos que fazer o luto dessa perda, o mesmo acontece com os doentes com cancro. Eles têm que fazer o luto do corpo saudável, para se adaptarem às perdas e às limitações que a doença lhes traz.
-MAMA: O cancro da mama está entre as doenças que mais provocam medo e angústia nas mulheres, devido não só à sua alta incidência, bem como devido às repercussões psicossociais que tem nas suas vidas. O período de diagnóstico pode ser bastante traumático, sendo normal sentimentos de raiva, revolta, tristeza, medo, angústia entre outros. A mama é um símbolo de feminilidade, maternidade, sexualidade, sensualidade e beleza, e quando sofre alguma alteração pode abalar drasticamente a noção de identidade da mulher. Tanto para as mulheres mastectomizadas (que retiram a mama) como para as submetidas a cirurgia parcial, pode surgir medo de perder o companheiro, pois, de certa forma, sentem-se “menos mulheres”, devendo ser ajudadas, compreendidas e apoiadas por elas. Existem as próteses mamária (soutien com enchimento na parte da mama que foi retirada), e passado algum tempo (é o médico qua avalia isso), podem fazer a reconstrução mamária.

EFEITOS SECUNDÁRIOS

O tratamento médico é reconhecido como desgastante, tanto em termos físicos como emocionais, sendo a ansiedade, a depressão e a auto-estima sintomas mais frequentemente identificados pelas doentes. A acrescer à perda da mama (total ou parcial), estão os efeitos secundários do tratamento, tal como a queda de cabelo. Pode acontecer as mulheres terem receio, ou, simplesmente, não se conseguirem olhar ao espelho pois não se reconhecem, e aqui, mais uma vez é necessário fazer o luto da imagem corporal. Outras mulheres reagem muito bem, adaptando-se de forma extraordinária e moldando a sua vida ao tratamento e à doença.
Apesar de se falar muitas vezes na doença, em revistas, na televisão, na rua, a maioria da população tem falta de conhecimento sobre causas e tratamentos possíveis do cancro, o que aumenta ainda mais o estigma social associado à doença.
É também necessário criar programas organizados de monitorização que cheguem a toda a população, como acontece, por exemplo, no Reino Unido. Neste país, a população geral recebe uma carta que convida à realização de um exame de monitorização, por exemplo a cada 5 anos (dependendo da idade da pessoa) e o mesmo acontece para a realização de mamografias.
Desta forma, é necessário fazer exames regulares para o diagnóstico ser atempado, principalmente nas idades de risco.
Viver com uma doença crónica, como o cancro, requer grande capacidade de organização, integração e sobretudo de adaptação a uma nova condição de vida.



http://www.soberaniadopovo.pt/portal/index.php?news=1341


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Seus medos e angustias

O Cancro é segundo a Direccção Geral de Saúde e, é depois das doenças cardiovasculares, a segunda causa de morte em Portugal. Provavelmente é a doença mais temida do mundo moderno. Mesmo sendo um cancro que se possa curar, a angústia e o desespero de quem dele sofre tornam-se pesadíssimos.

O diagnóstico é acompanhado de medo, angústia e desespero, que envolvem não só o doente, mas toda a família e os amigos, consolidando estigmas e preconceitos sociais. Hoje em dia, com os grandes avanços no campo da Medicina, nomeadamente com o crescente desenvolvimento das terapêuticas anti-neoplásicas (quimioterapia, cirurgia, radioterapia e terapêutica biológica), as doenças oncológicas mudaram, sendo possível alcançar a cura para algumas, e, para outras, prolongar a vida muito para além do que seria de esperar pela história natural da doença. Assim, pode-se afirmar que, hoje em dia, há a possibilidade de controlar a doença.
No entanto, viver com uma doença crónica (doença de longa duração, que afecta profundamente a vida da pessoa, em que a intervenção médica é muitas vezes paliativa, visando mais o controlo dos sintomas do que a sua cura), implica uma tentativa de reconstrução da própria vida, envolvendo estratégias específicas para lidar com os sintomas, com as consequências percebidas da doença e com o ajustamento à doença, no âmbito das relações sociais.

ADAPTAÇÕES E MAMA

O projecto de vida vai ser alterado, com repercussões em todas as suas áreas. Esta mudança exige um grande esforço de adaptação a uma nova vida. É necessário aceitar e incorporar as limitações que a doença provoca. Neste sentido, a ajuda de um psicólogo é fundamental, para ajudar a pessoa a adaptar-se a uma nova condição de vida. Perante a sua nova condição, os próprios doentes auto-marginalizam-se, vivendo muitas vezes o estigma a eles associado, pelo que a desejada reconstrução de uma nova identidade e a busca de um novo sentido para a vida se tornam tarefas difíceis e demoradas. É necessário que o doente não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer. Deve integrar as limitações que a doença provoca na sua vida, e procurar ajustar-se a isso.
A doença reveste-se de características com grande carga emocional e social. E, tal como quando nos morre um familiar querido e temos que fazer o luto dessa perda, o mesmo acontece com os doentes com cancro. Eles têm que fazer o luto do corpo saudável, para se adaptarem às perdas e às limitações que a doença lhes traz.
-MAMA: O cancro da mama está entre as doenças que mais provocam medo e angústia nas mulheres, devido não só à sua alta incidência, bem como devido às repercussões psicossociais que tem nas suas vidas. O período de diagnóstico pode ser bastante traumático, sendo normal sentimentos de raiva, revolta, tristeza, medo, angústia entre outros. A mama é um símbolo de feminilidade, maternidade, sexualidade, sensualidade e beleza, e quando sofre alguma alteração pode abalar drasticamente a noção de identidade da mulher. Tanto para as mulheres mastectomizadas (que retiram a mama) como para as submetidas a cirurgia parcial, pode surgir medo de perder o companheiro, pois, de certa forma, sentem-se “menos mulheres”, devendo ser ajudadas, compreendidas e apoiadas por elas. Existem as próteses mamária (soutien com enchimento na parte da mama que foi retirada), e passado algum tempo (é o médico qua avalia isso), podem fazer a reconstrução mamária.

EFEITOS SECUNDÁRIOS

O tratamento médico é reconhecido como desgastante, tanto em termos físicos como emocionais, sendo a ansiedade, a depressão e a auto-estima sintomas mais frequentemente identificados pelas doentes. A acrescer à perda da mama (total ou parcial), estão os efeitos secundários do tratamento, tal como a queda de cabelo. Pode acontecer as mulheres terem receio, ou, simplesmente, não se conseguirem olhar ao espelho pois não se reconhecem, e aqui, mais uma vez é necessário fazer o luto da imagem corporal. Outras mulheres reagem muito bem, adaptando-se de forma extraordinária e moldando a sua vida ao tratamento e à doença.
Apesar de se falar muitas vezes na doença, em revistas, na televisão, na rua, a maioria da população tem falta de conhecimento sobre causas e tratamentos possíveis do cancro, o que aumenta ainda mais o estigma social associado à doença.
É também necessário criar programas organizados de monitorização que cheguem a toda a população, como acontece, por exemplo, no Reino Unido. Neste país, a população geral recebe uma carta que convida à realização de um exame de monitorização, por exemplo a cada 5 anos (dependendo da idade da pessoa) e o mesmo acontece para a realização de mamografias.
Desta forma, é necessário fazer exames regulares para o diagnóstico ser atempado, principalmente nas idades de risco.
Viver com uma doença crónica, como o cancro, requer grande capacidade de organização, integração e sobretudo de adaptação a uma nova condição de vida.



http://www.soberaniadopovo.pt/portal/index.php?news=1341


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Viver com o cancro

Se percorrermos com uma visão panorâmica a história da humanidade, podem descobrir-se alguns povos que praticaram diversas formas de eutanásia. O próprio Platão chegou a escrever: "Estabelecerás no Estado uma disciplina e uma jurisprudência que se limite a cuidar dos cidadãos sãos de corpo e de alma; deixar-se-ão morrer aqueles que não sejam sãos de corpo" (1). Pode dizer-se que na antiguidade pre-cristã não havia em geral um respeito perfeito pela vida humana, se bem que não faltassem excepções como o juramento de Hipócrates (460 a.C.), que serviu de base para a deontologia médica.

Com a difusão do Cristianismo, renovou-se a mentalidade também neste aspecto, ao seguir o mandamento divino "não matar". Contudo, na época actual, vive-se o processo inverso. Com efeito, é no séc. XX que começam a ter aceitação e se difundem as organizações pro-eutanásia. Em 1935, funda-se na Inglaterra a primeira, com o nome de "Exit " ("Saída"); hoje chama-se "Voluntary Euthanasia Society" (VES) e conta uns 8.000 sócios. Em 1938, constituiu-se outra similar nos Estados Unidos, com o nome de " Euthanasia Society of America", que em 1967 criou o "Euthanasia Educational Fund" para financiar programas de informação e difusão pública do tema. Entre outras associações pro-eutanásia que têm mais actividade, está a "NVVVE" holandesa, que editou um livro no qual se explicam com pormenor os diversos modos de proporcionar uma "morte suave" a si próprio ou a outrem. Actualmente, existem organizações pro-eutanásia em 21 países, as quais em 1980 celebraram um congresso em Oxford e resolveram constituir a "Federação Mundial de Sociedades para o Direito à Morte" (2).

Durante os anos setenta, propagou-se também, em alguns países, especialmente nos Estados Unidos, a prática do "living will" (testamento biológico); trata-se de uma declaração assinada perante testemunhas na qual o interessado manifesta que, no caso de padecer uma enfermidade incurável e dolorosa, não lhe devem aplicar meios terapêuticos extraordinários para prolongar a vida e que, pelo contrário, lhe seja proporcionada uma "morte suave". Neste mesmo sentido foi aprovada uma lei no Estado da Califórnia em 1976 e em outros sete Estados da União em 1977. Também no decorrer desse mesmo ano, o cantão de Zurich aprovou por referendo esta forma de eutanásia. Na Inglaterra, pelo contrário, já se tinham rejeitado em 1936 e 1969 dois projectos de lei para a legalizar.

Examinando as afirmações dos defensores da eutanásia nos últimos anos, verifica-se um "crescendo" nas argumentações. Em 1974, quarenta personalidades da cultura e da ciência, entre os quais se encontravam três Prémios Nobel (Jacques Monod - Biologia, 1965; Linus Pauling - Química, 1954; e George Thomson - Física, 1937) afirmaram que "nenhuma moral racional pode proibir categoricamente ao indivíduo pôr termo à sua Vida, se padece de uma horrível doença em relação à qual os meios conhecidos são ineficazes" (3). Daí à argumentação em prol do "homicídio por piedade", do "homicídio em consciência", da necessidade de "eliminar vidas inúteis", não vai uma grande distância, pois o ponto de partida é o mesmo nas duas atitudes: a negação do carácter sagrado de qualquer vida humana.

(1) PLATÃO, República, III.

(2) Cfr. Aceprensa, Madrid, n.° 19/84.

(3) "The Humanist", Julho de 1974

Fernando Monge, Eutanásia, Edições Prumo, 1991

Fonte: http://eutanasia.aaldeia.net/vivercomcancro.htm

Livro. alivio a dor do cancer

Ficha Técnica

O Alívio da dor do câncer
Segunda Edição
Com um guia para a disponibilidade de opiáceos
Instituto nacional do Câncer
Ministério da Saúde
1997

Publicado pela Organização Mundial da Saúde em 1996 sob o título Cancer pain relief, 2ª edição
@Organização Mundial de Saúde

O Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde concede os direitos de tradução para uma edição em Português ao Instituto Nacional de Câncer, que é o único responsável pela tradução.

Tiragem: 10.000 exemplares

Edição, distribuição e informações
Instituto Nacional de Câncer - INCA
Coordenadoria de Programas de Controle do Câncer - Pro-Onco

Av. Venezuela, 134 Bl. A 9º Andar
CEP 20081-310 Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel.: (021) 263-8565 Fax: (021) 263-8297
e-mail: evinca@omega.incc.br Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Tradução, editoração eletrônica e fotolito: Pro-Onco/INCA
Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Prefácio

Na maior parte do mundo, a maioria dos pacientes com câncer tem doença avançada. Para eles, a única opção real de tratamento e o alívio da dor e os cuidados paliativos. Em 1986, a primeira edição da presente publicação propôs um método para o alívio da dor do câncer, baseado em um pequeno número de drogas relativamente baratas, inclusive a morfina. O teste de campo realizado em varies países demonstrou a eficácia do método em varies pacientes. A primeira edição tem sido traduzida para 22 línguas e mais de meio milhão de copias tem sido vendidas, refletindo a crescente conscientização sobre o problema que representa a dor do câncer.
Esta segunda edição incorpora muitos dos avanços ocorridos no conhecimento e na prática, desde a metade dos anos 80, O trabalho preparatório para esta revisão iniciou-se em 1989, no contexto do encontro do Comitê de Especialistas no Alívio da Dor do Câncer e Cuidados Paliativos da OMS.Desde então, cada parte do livro passou a ser extensivamente revisada e atualizada, e uma seção sobre disponibilidade de opiáceos foi adicionada.

Ressalta-se que a abordagem a dor do câncer precisa ser entendida como parte de um cuidado paliativo especializado. O alívio de outros sintomas e dos problemas psicológicos, sociais e espirituais que os pacientes apresentem e mandatório. Buscar o alívio da dor sem atentar para Além dos problemas físicos dos pacientes resultará em frustração e na falha.

Fonte: http://www.psicosoma.pt/livraria?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=5320&category_id=34