sábado, 25 de julho de 2009

Boas notícias do cancro da mama

Boas notícias do cancro da mama

As recentes descobertas no campo da prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro da mama

Uma dor no peito deu o alerta. Maria de Jesus Fernandes, hoje com 55 anos, fez a auto-palpação do peito e sentiu um caroço no lado direito. Os resultados da biopsia acusaram um carcinoma ductal.

Pouco tempo depois, foi submetida a uma cirurgia em que lhe retiraram o tumor e uma margem envolvente de tecido normal: «Apesar de tudo, a dor no peito foi a minha sorte. Se não tivesse sentido nada, quando descobrisse, já seria tarde». Passaram quatro anos. O caso de Maria de Jesus Fernandes é uma história de sucesso. O diagnóstico precoce evitou a remoção completa da mama, a radioterapia e a quimioterapia.

Felizmente, histórias como esta repetem-se por todo o mundo e a elas juntam-se os avanços da Ciência que oferecem novas esperanças. As que partilhamos agora consigo.

Diagnostico precoce

Quando o cancro da mama é diagnosticado a tempo, mais de 90 por cento por cento das pessoas afectadas vencem a doença. E, apesar do números de vítimas por todo o mundo serem assustadores (é a principal causa de morte entre as mulheres com 35 a 55 anos), as pesquisas científicas não param de dar boas notícias.

Graças a tratamentos cada vez mais poderosos, como os que bloqueiam o receptor hormonal do estrogéneo nas células tumorais ou os antiestrogénicos que inibem a produção desta hormona sexual feminina (todos disponíveis em Portugal), a esperança de vida das mulheres afectadas por esta doença tem vindo a aumentar.

Alargar os rastreios

A Laço (associação de voluntariado ligada à prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro da mama em Portugal) vai financiar, até 2010, a criação e manutenção de um consórcio internacional para o rastreio de uma mutação fundadora portuguesa do gene BRCA 2, um dos dois principais genes responsáveis pelo cancro hereditário de mama e ovário.

Este apoio é dado na sequência de um estudo nacional que, através de um novo método de rastreio, demonstra a existência de uma mutação fundadora do BRCA 2 que explica 10 por cento das mutações encontradas na nossa população de alto risco, que pode escapar aos métodos habituais de detecção.

A identificação de famílias positivas vai assim permitir o acompanhamento de indivíduos em alto risco e a tomada de acções preventivas. O método já é usado no IPO de Lisboa, mas é agora alargado às comunidades portuguesas no estrangeiro e a locais onde existam ancestrais portugueses, o que permite o acompanhamento completo da mutação.


Tratamentos inovadores

Os hospitais dispõem de tratamentos sofisticados que passam pela cirurgia, radioterapia, terapêutica hormonal ou quimioterapia, além de recorrer às mais avançadas técnicas de reconstrução mamária.

Mais recentemente, surgiu um tratamento com anti-corpos monoclonais, técnica que consiste em anular a função negativa de uma proteína, como é o caso da c-erbB2, presente em cerca de 20 por cento dos carcinomas da mama e que causa um comportamento mais agressivo destes tumores. Também já chegou ao mercado norte-americano, um novo medicamento para o cancro da mama em estado avançado, um fármaco com a substância ixabepilone, que pode reduzir ou impedir o crescimento do tumor. Na Europa, a comercialização está para breve.

Investigação intensa

Nada parece demover a comunidade científica de encontrar a chave para travar o cancro da mama. Segundo um estudo publicado na revista «Nature», cientistas americanos descobriram como reduzir a capacidade de o tumor mamário se espalhar.

A ideia é anular o efeito dos quatro genes que actuam em conjunto para estimular o cancro de mama a atingir os pulmões, através da corrente sanguínea.

Pesquisas nacionais

Em Portugal, a equipa de investigação do cancro da mama do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto também está a pesquisar um tratamento para o tipo mais agressivo deste tumor, o triplo negativo, resistente à quimioterapia e radioterapia.

Ao desenvolverem uma molécula com características iguais à vitamina D, presente no nosso organismo e que é estimulada pela exposição solar, os investigadores esperam prevenir e combater a proliferação de células cancerígenas.

Estilo de vida

Uma percentagem considerável das pesquisas demonstra que o exercício físico e o consumo diário de 20 a 30 gramas de fibra, assim como a ingestão de uma grande variedade de fruta e vegetais, ricas em propriedades antioxidantes, em especial as vitaminas E, C e A (betacaroteno) e dos minerais selénio, ferro e zinco, ajuda a prevenir a obesidade, um factor de risco do cancro da mama. O limite do consumo de álcool, tabaco e alimentos ricos em açúcar e gordura, sobretudo, as carnes vermelhas, também é uma estratégia defensiva.


Veja a lista de alimentos com maiores propriedades anti-cancerígenas.


Texto: Fátima Lopes Cardoso com Nuno Abecasis (cirurgião oncológico)

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